Ansiedade: quando a mente não desliga e o corpo paga o preço
- José Angelo Fiorot Junior Terapeuta On-line
- 17 de jan.
- 2 min de leitura

Você já acordou cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono?
Ou percebeu que, mesmo quando tudo parece “sob controle”, sua mente insiste em procurar algo para se preocupar?
A ansiedade, em si, não é o problema. Ela faz parte da experiência humana e tem uma função importante: nos preparar para lidar com riscos, desafios e mudanças. O problema começa quando esse estado de alerta deixa de ser pontual e passa a comandar a vida, quando descansar gera culpa, relaxar parece perda de tempo e estar sempre “ligado” vira o normal.
Muitas pessoas chegam à terapia dizendo que a mente não desliga, que estão sempre antecipando conversas, decisões ou possíveis erros. Outras relatam uma sensação constante de aperto no peito, respiração curta ou um incômodo difícil de explicar, como se algo estivesse errado… mesmo quando não está.
Com o tempo, o corpo começa a cobrar essa conta. Dores que surgem “do nada”, tensão constante nos ombros e na mandíbula, alterações no sono, no apetite ou no intestino. E, talvez o mais frustrante: a sensação de que você está se esforçando muito para dar conta da vida, mas nunca chega a se sentir em paz.
O ciclo silencioso da luta contra o que se sente
Em geral, ninguém luta contra a ansiedade por escolha. A luta começa como uma tentativa legítima de ficar bem. Você tenta controlar os pensamentos, se distrair, ser mais racional, mais forte, mais produtivo. Talvez funcione por alguns minutos. Às vezes, por algumas horas.
Mas, no fundo, você já percebeu: quanto mais tenta não sentir ansiedade, mais ela parece crescer.
Esse é um dos aspectos mais silenciosos (e mais cruéis) da ansiedade: ela faz você acreditar que ainda não pode viver plenamente, que precisa primeiro “resolver a cabeça”, “ficar bem” ou “se sentir seguro” para então seguir em frente. Enquanto isso, a vida vai ficando em espera.
Como a terapia pode ajudar a encontrar equilíbrio
A terapia não é um espaço para consertar você, porque você não está quebrado. É um espaço para aprender uma nova forma de se relacionar com seus pensamentos, emoções e sensações corporais, sem precisar lutar o tempo todo contra eles.
O trabalho terapêutico ajuda a reduzir o domínio que a ansiedade exerce sobre suas escolhas. Em vez de decidir tudo a partir do medo, você aprende a reconhecer o que está sentindo e, ainda assim, agir de forma coerente com o que é importante para você: seus valores, seus vínculos, sua vida real.
O equilíbrio não nasce da ausência de ansiedade. Ele nasce quando você descobre que pode seguir vivendo, mesmo com ela presente (e que ela não precisa mais estar no comando).
Se, ao ler este texto, você pensou “parece que alguém entrou na minha cabeça”, talvez não seja coincidência. Talvez seja apenas o sinal de que chegou a hora de cuidar da sua saúde emocional com mais gentileza e menos luta.



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