E se não fosse excesso… mas potência?
- José Angelo Fiorot Junior Terapeuta On-line
- 13 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
O processo de identificação da superdotação em adultos

Por muito tempo, a superdotação foi associada exclusivamente ao desempenho escolar de crianças com notas acima da média. Mas e quando esse alto potencial não foi percebido na infância — ou quando foi silenciado por exigências sociais, timidez, autocobrança ou perfeccionismo?
A verdade é que muitos adultos superdotados não sabem que são. E mais do que isso: cresceram se sentindo fora de lugar, intensos demais, rápidos demais, questionadores demais… sempre demais para os outros — e insuficientes para si mesmos.
“Indivíduos superdotados adultos frequentemente apresentam uma combinação de pensamento acelerado, sensibilidade emocional e autoconsciência aguda, o que pode levá-los a vivenciar a vida com maior intensidade e complexidade” (Silverman, 2013, p. 58).
Como é o processo de identificação?
Diferente do que se imagina, não é preciso fazer um “teste de QI” para começar esse processo. A identificação em adultos pode ser feita por meio de entrevistas clínicas, avaliação de padrões de pensamento, características cognitivas, emocionais e existenciais.
Entre os sinais mais frequentes estão: – uma mente acelerada, mas que se cansa facilmente do superficial; – uma sensibilidade refinada, que percebe o não dito, os detalhes, os silêncios; – uma tendência à solidão intelectual, mesmo em ambientes sociais; – e uma busca profunda por sentido, que torna o “comum” muitas vezes insuportável.
“A superdotação é um fenômeno multidimensional que se manifesta não apenas em desempenho acadêmico, mas também em padrões emocionais, sociais e criativos” (Renzulli, 2005).
Por que isso importa?
Porque reconhecer-se é se libertar. Quando uma pessoa adulta descobre que sua mente funciona de maneira diferente, muitos pesos caem. O que era culpa vira compreensão. O que era inadequação vira potência.
“O reconhecimento da superdotação em adultos não é uma busca por status, mas uma jornada de reconexão com a própria essência” (Freeman, 2018, p. 41).
A partir desse reconhecimento, torna-se possível resgatar o que foi reprimido: talentos, criatividade, sensibilidade e projetos de vida que pareciam grandes demais — mas que só estavam esperando o espaço certo para nascer.
Um espaço seguro, ético e discreto
O processo terapêutico deve oferecer um ambiente onde nada é ‘exagerado’ demais, ‘intenso’ demais ou ‘difícil’ demais.
“Os adultos superdotados buscam ambientes terapêuticos que validem sua complexidade interna e ofereçam escuta qualificada e não reducionista” (Lovecky, 1998).
Se você sente que nunca se encaixou, mas também nunca conseguiu parar de pensar, sentir ou buscar... talvez o que você precise não seja um rótulo — mas um espelho fiel, limpo e sem julgamento.
Seu excesso pode ser, na verdade, sua assinatura única no mundo. José Angelo Fiorot Junior
Doutor em Psicologia - CRP: 06/125.547
📚 Referências
FREEMAN, Joan. Gifted Lives: What Happens when Gifted Children Grow Up. Routledge, 2018.
LOVECKY, Deirdre V. Different Minds: Gifted Children with AD/HD, Asperger Syndrome, and Other Disorders. Jessica Kingsley Publishers, 1998.
RENZULLI, Joseph S. The three-ring conception of giftedness: A developmental model for promoting creative productivity. In: Sternberg, R. J. & Davidson, J. E. (Eds.). Conceptions of giftedness. 2. ed. Cambridge University Press, 2005. p. 246–279.



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